domingo, 23 de janeiro de 2011

o que me resta?

Como eu queria do peito arrancar meu coração, derramar em forma de palavras, toda a dor que o comprime, esmaga, dilacera.
Tudo o que me faz bem, em segundos se torna mal... dissimulado, fatal.
Silenciosamente, amigavelmente, acaba comigo, mata lentamente, meu interior.
Talvez seja tudo culpa minha... pq eu não sei dizer não?
mas como dizer não... as coisas que eu mais amo não conseguem andar juntas, mesmo tendo o mesmo objetivo, se colidem, me agridem...
pq escolher? não consigo!
Enquanto tantos não se comprometem, é como se por todos eu me comprometesse...
e todos acham que o comprimisso é só meu. Hipocrisia!

Pressão! não sei agir sob sua ação, mas é assim que gostam de me tratar!
O que querem me causar? Além da dor que me faz desmoronar?!
Minha vontade agora é sair correndo, fugir de tudo, todos...
correr até pingar a ultima gota de suor,
até o último vestígio de ar nos pulmões.
Soluçar até a última lágrima derramar,
gritar até a última corda vocal arrebentar.
Neste desatino, delírio, alucino...
da sanidade pouco me resta.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dama da Noite

É no inicio do verão, em uma única noite, que desabrocha sua rara beleza, deslumbrante. Contemplam seu perfume e sua resplandecente aparência os seres noturnos, os diurnos, porém, desconhecem sua existência.
Após um ano, vem nos dar sua graça mais uma vez, mas só por uma noite. Benditos aqueles que os olhos podem vê-la e que a respiração pode inalá-la.
Ah Dama da Noite, mal sabes o que faz em meus sentimentos. Depois que meus olhos a viram, não sai de meus pensamentos. Assim como tu, na noite encontro meu lar, a madrugada me faz desabrochar, sinto a paz reinar. Das minhas entranhas brota a arte, em suas variadas formas, que me fascina, realiza. Mas é à noite, no silencio da lua a me fitar, que me sinto a vontade e posso demonstrar o que nasce de minhas mãos, dos meus pensamentos, do meu coração.
E ao contrario de ti linda dama, posso desabrochar em muitas noites, nas que me permitirem invadir, concedendo as estrelas a aplaudir.
O sol jamais conseguirá me acolher como a lua, pois na solidão da noite que encontro meu lugar, porém, um dia quero brilhar, além da luz do luar, do canto do rouxinol, ter também meu lugar ao sol.